
China estende tarifas zero a todos os países africanos excepto Essuatíni
Todos, menos um dos 54 países africanos, passam agora a estar abrangidos pela política de tarifas zero da China, após a inclusão de mais 20 nações a 1 de Maio, revela a publicação ‘Business Insider Africa’. A decisão deixa um único país da região Austral, Essuatíni (antiga Suazilândia) como a excepção ao amplo acesso isento de direitos aduaneiros concedido por Pequim ao continente.
Essuatíni, um país sem litoral da África Austral com cerca de 1,2 milhão de habitantes, é a única nação africana excluída da política alargada de tarifas zero da China.
A razão desta exclusão prende-se com a relação diplomática contínua de Essuatíni com Taiwan, que a China considera uma província separatista e cuja “reunificação” mantém como objectivo de longo prazo.
Embora alguns observadores comparem as tensões entre Taiwan e a China com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, os contextos históricos diferem significativamente.
Wen-Ti Sung, cientista político da Universidade Nacional Australiana, explicou que, ao excluir Essuatíni, a China está a “instrumentalizar as suas relações com os países africanos e a mostrar que os laços com Pequim têm contrapartidas”, segundo a BBC.
O especialista acrescentou que a China pretende que o mundo veja um contraste claro entre a forma como trata os seus “amigos” e a forma como trata os aliados de Taiwan.
A condição de país sem litoral coloca desafios diplomáticos adicionais a Essuatíni, uma vez que visitantes provenientes de fora do continente têm, normalmente, de atravessar o espaço aéreo de países vizinhos para entrar no país.
O impasse diplomático intensificou-se no mês passado, quando o Presidente de Taiwan, Lai Ching-te, foi, na prática, impedido de visitar Essuatíni, depois de Seychelles, Maurícia e Madagáscar terem recusado autorizar o sobrevoo, forçando um desvio de rota e inviabilizando a viagem planeada.
Taiwan acusou China de exercer pressão nos bastidores para bloquear a visita e “reduzir o espaço internacional de Taiwan”, enquanto aliados de Taiwan e responsáveis em Estados Unidos da América enquadraram o incidente como parte de uma disputa mais ampla por reconhecimento diplomático e influência em África.
Os Estados Unidos da América (EUA) têm sinalizado repetidamente o interesse em preservar as restantes parcerias de Taiwan no continente, considerando-as estrategicamente importantes no contexto da crescente rivalidade entre Washington e Pequim.
A China, por seu lado, sustenta que a adesão dos países ao princípio de “Uma Só China” constitui uma escolha soberana legítima, insistindo que o envolvimento internacional de Taiwan não deve ocorrer de forma a comprometer as suas reivindicações territoriais.
O episódio evidenciou quão disputada continua a ser a presença diplomática de Taiwan, particularmente em regiões onde a influência económica e política da China está em expansão.
À medida que a guerra comercial entre a China e os EUA se intensifica, as estratégias de ambos em África seguem trajectórias distintas.
Enquanto os EUA adoptaram uma postura comercial mais proteccionista em 2025, impondo tarifas de 30% a países como a Líbia, a África do Sul e Angola, a China seguiu na direcção oposta, eliminando tarifas para quase todo o continente.
Apesar de persistir um défice comercial de 102 mil milhões de dólares entre África e a China, Pequim continua a aprofundar o seu peso económico e a reforçar a sua influência em todo o continente africano.