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Angola reduz 70% de dependência da ajuda externa no financiamento da saúde

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, revelou, esta terça-feira, no Fórum Global, em Nairobi, no Quénia, que Angola reduziu em cerca de 70% da ajuda externa entre 2021 e 2025.

Ao intervir no segundo dia da Reunião Regional 2026 da Cimeira Mundial da Saúde, durante um painel de alto nível subordinado ao tema “Transformar o Financiamento da Saúde em África: da volatilidade da ajuda ao investimento sustentável”, a ministra destacou que Angola tem seguido um percurso distinto da maioria dos países africanos, ao reduzir progressivamente a dependência da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) e reforçar o financiamento interno.
Para Sílvia Lucutura, este cenário representa um alerta para o continente, defendendo que o reforço do financiamento interno deixou de ser uma opção estratégica para se tornar uma necessidade estrutural.
Nesta perspectiva, defendeu a necessidade urgente de transformar o financiamento da saúde em África, apostando em soluções sustentáveis e menos dependentes da ajuda externa.
“Angola estruturou o seu sistema de saúde com base em recursos domésticos, o que permitiu manter a soberania na definição de prioridades e reduzir a exposição à volatilidade externa”, referiu.
Medidas em curso
Entre as medidas em curso, destacou a implementação de reformas fiscais progressivas, a introdução de impostos sobre produtos nocivos à saúde e o desenvolvimento do seguro nacional de saúde, bem como a aposta em parcerias público-privadas para a produção local de medicamentos e vacinas.
Outro ponto central da intervenção foi o recurso a mecanismos inovadores, como a conversão de dívida em investimento no sector da saúde, estratégia que, segundo explicou, permite aliviar a pressão fiscal e redireccionar recursos para áreas prioritárias.
Evidenciou ainda os avanços no reforço do capital humano, com um aumento de 46% da força de trabalho em saúde desde 2017 e a implementação do plano emergencial de formação de Recursos Huambos em Saúde que prevê especializar 38 mil profissionais até 2028.

 

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