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CAF retira título ao Senegal e declara Marrocos campeão

O órgão judicial da Confederação Africana de Futebol (CAF) deliberou, esta terça-feira, dia 17, que Marrocos é o justo vencedor do Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN), validando o recurso interposto em Janeiro pelos organizadores.

Passados dois meses da final do CAN, perdida para o Senegal, no prolongamento, pela margem mínima, os organizadores viram o Conselho de Recurso da CAF considerar que a saída temporária do relvado de vários jogadores dos Leões de Teranga, que interrompeu a partida, por cerca de 20 minutos, após a decisão da marcação de um pontapé de penálti, que viria a ser desperdiçado ao cair do pano, por Brahim Díaz, violou os artigos 82 e 84 do Regulamento do Campeonato Africano das Nações.
O recurso interposto é agora confirmado com base interpretativa no capítulo 35, referente a “Desistências” ou “Retiradas”
Eis o Regulamento da CAF:  
ARTIGO 82
Se, por qualquer motivo, uma equipa se retirar da competição ou não comparecer a uma partida, ou se recusar a jogar ou sair do campo antes do término regular da partida sem a autorização do árbitro, será considerada perdedora e eliminada de forma definitiva da competição em andamento. O mesmo se aplicará às equipas previamente desqualificadas por decisão da CAF.
ARTIGO 83
Uma equipa que não estiver presente no campo, vestida para jogar no horário marcado para o início da partida ou, no máximo, 15 minutos depois, perderá a partida por desistência. O árbitro deverá registar a ausência da equipa e escrever isso em seu relatório. O Comité Organizador tomará a decisão final a esse respeito.
ARTIGO 84
A equipa que infringir as disposições dos artigos 82 e 83 será eliminada de forma definitiva da competição. Esta equipa perderá sua partida por 3-0, a menos que o adversário tenha obtido um resultado mais vantajoso no momento em que a partida foi interrompida; nesse caso, esse resultado será mantido. O Comité Organizador poderá adoptar medidas adicionais.

Ainda não é o fim da linha para o Senegal

Com esta decisão, Marrocos vence a final do CAN 2025 sobre o Senegal, por 3-0, e passa a ter dois títulos no palmarés, mas o capítulo não está totalmente encerrado; os Leões de Teranga podem recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS/CAS) em Lausanne, na Suíça, que é autoridade máxima independente para resolução deste tipo de casos do futebol mundial.
Por outro lado, os Leões do Atlas foram responsabilizados pelo comportamento indisciplinado dos apanha-bolas e de Ismael Saibari, que fizeram de tudo ao alcance para que Édouard Mendy não pudesse limpar as luvas à semelhança da meia-final com a Nigéria onde quem saiu prejudicado foi o guarda-redes Stanley Nwabali. Desta vez, o guardião suplente do Senegal, Yehvann Diouf não deixou que tal acontecesse e defendeu a toalha do companheiro de equipa e garantiu que a conduta anti-desportiva não vingasse.
Devido a este episódio, a Federação Real Marroquina de Futebol foi obrigada a pagar uma multa de 50.000 dólares, a juntar a outros 10.000 pela interferência dos adeptos no jogo com lasers e outros 100.000 relativamente à interferência nas imediações da área de revisão do OFR/VAR.
Já Ismael Saibari, que anteriormente tinha sido penalizado três jogos pela CAF, recebeu um castigo de duas partidas oficiais, dos quais uma delas com pena suspensa.

Declarações do presidente da Federação do Senegal ganham novos contornos com esta decisão

Com este desfecho, há outro elefante na sala que não se pode ignorar, teria sido a decisão da CAF diferente se o resultado tivesse sido favorável aos anfitriões?
Em Janeiro, o presidente da Federação do Senegal, Abdoluaye Fall disse ao jornal “Le Solei” , citado pelo site brasileiro Terra, que “é preciso falar abertamente: Marrocos manda na CAF, eles têm o poder total e decidem tudo. Nenhuma selecção se posicionou contra isso como o Senegal” e eles “têm recursos, e muitos não têm coragem de ir contra a vontade deles”, concluiu.
Este é um tema que vai ganhar novos contornos, sobretudo quando o Reino de Marrocos vai ser um dos países a organizar o Mundial em 2030, ao lado de Portugal e Espanha.
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