
Angonabeiro investiu 1,5 milhões de dólares no apoio aos produtores de café
Além do financiamento, a Angonabeiro disponibilizou alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos destinados a apoiar os produtores na preparação das terras e no aumento da capacidade produtiva.
A Angonabeiro adiantou cerca de 1,5 milhões de dólares aos produtores de café durante a última campanha, num apoio destinado à preparação das explorações para o ciclo seguinte e ao reforço da capacidade produtiva, revelou, terça-feira, 22 de Setembro, em Luanda, o director-geral da empresa, Rui Gonçalves.
«Na última campanha, adiantámos aos produtores cerca de 1,5 milhões de dólares, porque sabemos que o crescimento da produção começa muito antes da colheita. Muitas vezes, o apoio não passa apenas pelo financiamento», afirmou o responsável durante a Mesa Redonda do Café.
Além do financiamento, a Angonabeiro disponibilizou alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos destinados a apoiar os produtores na preparação das terras e no aumento da capacidade produtiva.
«Não somos a banca, mas assumimos este compromisso porque sabemos que o crescimento da Angonabeiro está directamente ligado ao crescimento dos produtores e de toda a fileira do café em Angola», sublinhou Rui Gonçalves.
Com 28 anos de ligação à produção de café em Angola, a empresa trabalha actualmente com cerca de 30 mil produtores e procura desempenhar um papel activo no desenvolvimento da cadeia de valor, combinando o apoio financeiro com a disponibilização de meios e equipamentos agrícolas.
Segundo dados apresentados durante o encontro, a Angonabeiro tem registado um crescimento superior a 40% ao ano, num contexto de aumento da procura por café produzido localmente e de maior valorização da produção nacional.
Financiamento considerado essencial
A administradora executiva do Banco de Fomento de Angola (BFA), Elizabete Tristão, considerou que o acesso ao financiamento é uma condição fundamental para o desenvolvimento da fileira do café, sobretudo para aumentar a produção, a produtividade e a competitividade do produto angolano.
«Esta iniciativa reflecte a nossa convicção de que o acesso ao financiamento é um dos pilares fundamentais para o aumento da produção, da produtividade e da competitividade do café angolano nos mercados nacionais e internacionais», salientou.
A responsável recordou que o BFA tem vindo a reforçar o apoio aos sectores produtivos nacionais, tendo celebrado, em 2024, um protocolo com o Instituto Nacional do Café (INCA), posteriormente complementado por um instrumento assinado pelo Ministério das Finanças para o financiamento de projectos ligados ao sector.
No âmbito da Mesa Redonda do Café, o banco reafirmou a disponibilidade para analisar e apoiar projectos concretos e sustentáveis apresentados por produtores, empresários e investidores.
«Reunimos produtores, empresários, especialistas e instituições para discutir um propósito comum: como tornar o café angolano mais competitivo, mais sustentável e mais capaz de gerar valor para a economia e para as comunidades», afirmou Elizabete Tristão.
Café na diversificação económica
O ministro Conselheiro da Embaixada de Portugal em Angola, Pedro Severo de Almeida, destacou, por seu lado, a importância do desenvolvimento da fileira do café para a economia angolana, enquadrando o sector no processo de diversificação económica e industrial do país.
«O sector do agronegócio em geral e a fileira do café em particular são pilares centrais para reduzir a dependência do crude e para gerar receitas de exportação diversificadas, com impacto efectivo nas comunidades em que opera», afirmou.
Pedro Severo de Almeida destacou ainda o interesse do modelo desenvolvido pela Angonabeiro, nomeadamente pela capacidade de transformar matéria-prima local, acrescentar valor dentro do país e contribuir para a qualificação da mão-de-obra nacional.
A Mesa Redonda do Café reuniu representantes do sector empresarial, produtores, instituições financeiras, entidades públicas e outros parceiros da cadeia de valor, com o objectivo de debater os principais desafios e oportunidades do sector.
Entre os temas abordados estiveram o financiamento à produção, o aumento da produtividade e da oferta nacional, o reforço do consumo interno e o potencial de exportação do café angolano.
O encontro permitiu igualmente aproximar produtores, empresas, instituições financeiras e entidades públicas, procurando identificar oportunidades de cooperação capazes de acelerar o crescimento e a valorização da fileira do café em Angola.