
Angola prepara entrada em funcionamento da primeira refinaria de ouro do país
O projecto representa um investimento estimado em 12 milhões de dólares, segundo o relatório de gestão da Endiama. A infraestrutura ocupa cerca de 1.600 metros quadrados e inclui, além da unidade de refinação, uma contrastaria e laboratórios destinados ao ensaio e certificação da pureza dos metais preciosos.
Angola prepara-se para colocar em funcionamento a sua primeira refinaria de ouro, um projecto considerado estratégico pelo Executivo para aumentar a transformação local dos recursos minerais e acrescentar valor à produção nacional.
Localizada no Pólo Industrial de Viana, em Luanda, a Refinaria de Ouro de Luanda (ROA) é propriedade da Geoangol, empresa do grupo Endiama, e foi concebida para realizar a refinação, análise e certificação de metais preciosos. A infraestrutura tem uma capacidade instalada de 25 quilogramas de ouro por dia, podendo esta capacidade ser ampliada para 50 quilogramas mediante a introdução de turnos adicionais.
O projecto representa um investimento estimado em 12 milhões de dólares, segundo o relatório de gestão da Endiama. A infraestrutura ocupa cerca de 1.600 metros quadrados e inclui, além da unidade de refinação, uma contrastaria e laboratórios destinados ao ensaio e certificação da pureza dos metais preciosos.
A construção da refinaria entrou numa fase decisiva. Segundo o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, a execução física da obra está concluída, embora persistam alguns trabalhos técnicos de especialidade.
Durante uma recente visita à Geoangol, o ministro Diamantino Azevedo apelou ao empreiteiro, à fiscalização e ao dono da obra para acelerarem os trabalhos necessários à entrada plena em funcionamento da unidade.
A Endiama também colocou a inauguração da refinaria entre as suas principais realizações previstas para 2026, no âmbito da estratégia de diversificação da actividade do grupo para além dos diamantes.
Ouro produzido em Angola
A criação da refinaria ocorre numa altura em que Angola procura aumentar significativamente a produção de ouro. O país entrou oficialmente para o grupo dos produtores e exportadores de ouro em 2019, tendo o Projecto Chipindo, na província da Huíla, registado uma das primeiras produções comerciais após a independência.
O potencial de produção, contudo, ainda é reduzido face à capacidade da futura refinaria. Dados anteriormente divulgados pelo sector indicavam uma produção anual de cerca de 125 quilogramas, enquanto as autoridades estabeleceram como objectivo alcançar aproximadamente 500 quilogramas por ano.
Esta diferença constitui um dos principais desafios do projecto. O aumento da produção mineira será necessário para assegurar o abastecimento regular da refinaria e permitir que a unidade opere próximo da sua capacidade instalada.
O próprio Ministério dos Recursos Minerais considera o aumento da produção de ouro uma prioridade para garantir matéria-prima à refinaria.
Mais valor acrescentado
Para o Executivo, a principal vantagem da refinaria está na possibilidade de Angola deixar de exportar parte significativa do ouro simplesmente como matéria-prima e passar a comercializá-lo depois de processado e certificado no país.
A unidade deverá permitir a obtenção de ouro com padrões de pureza reconhecidos internacionalmente, abrindo possibilidades para a utilização do metal na joalharia, tecnologia, indústria e mercados financeiros.
A estratégia enquadra-se na política de diversificação económica e de desenvolvimento da cadeia de valor dos recursos minerais, procurando aumentar a participação nacional nas diferentes fases do negócio — da prospecção e exploração à transformação e comercialização.
Formação de técnicos angolanos
Outro componente do projecto é a formação de quadros nacionais. A refinaria deverá contar com técnicos angolanos especializados, tendo parte dos profissionais recebido formação em Portugal para trabalhar com os equipamentos e tecnologias utilizados na unidade.
Quando o projecto foi lançado, estava prevista a criação de cerca de 30 postos de trabalho directos, incluindo 24 destinados a jovens angolanos recém-formados.
Um novo segmento para a Endiama
A entrada da Endiama no negócio do ouro representa também uma tentativa de diversificação do grupo estatal, tradicionalmente associado à indústria diamantífera.
A empresa pretende posicionar-se no mercado dos metais preciosos através da Geoangol e da futura refinaria, procurando transformar a infraestrutura num instrumento para aumentar o valor económico do ouro produzido em Angola.
Assim, a entrada em funcionamento da refinaria poderá marcar uma nova etapa na indústria mineira angolana: mais do que produzir e exportar ouro, o desafio passa a ser transformá-lo, certificá-lo e capturar dentro do país uma parcela maior do valor gerado pelo recurso.