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Cabo Verde defende reconhecimento do português como língua oficial das Nações Unidas

A Presidente da República interina de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, defendeu o reconhecimento do português como língua oficial das Nações Unidas, considerando que os países e as comunidades que partilham este idioma reúnem condições para sustentar essa pretensão.

A posição foi expressa durante o XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, realizado na cidade da Praia, capital cabo-verdiana, entre quinta-feira e domingo, 11 de Outubro.

“Tal aspiração encontra fundamento não apenas na dimensão demográfica dos seus falantes, mas também na relevância crescente dos países que integram a comunidade de língua portuguesa e no contributo que estes oferecem para o diálogo intercultural, para a paz, para a cooperação internacional e para o desenvolvimento sustentável”, afirmou Janira Hopffer Almada.

A responsável sublinhou igualmente a importância de ampliar a presença do português em áreas como a ciência, a investigação, a inovação tecnológica e a produção académica, defendendo uma maior projecção internacional da língua.

Sob o tema “A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança”, o encontro reuniu escritores e representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Timor-Leste esteve representado pelo ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral.

No balanço da iniciativa, a secretária-geral adjunta da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Paula Leal da Silva, considerou que o encontro proporcionou um conjunto de reflexões inovadoras e interessantes.

A responsável saudou ainda a disponibilidade manifestada por Timor-Leste para acolher a próxima edição do encontro, anunciada pelo ministro Tomás do Rosário Cabral. Destacou também o ambiente de acolhimento proporcionado pela cidade da Praia aos participantes provenientes de diferentes países e territórios.

Outra das questões abordadas durante o evento foi o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. A organização anunciou a intenção de rever as condições da distinção, cuja análise integrou o último painel, antes do encerramento dos trabalhos.

Segundo o assessor cultural da UCCLA, Manuel Sousa Guedes, a componente monetária do prémio deverá passar dos actuais 3.000 euros para 5.000 euros.

Na edição deste ano, a distinção foi atribuída ao indigenista ítalo-brasileiro Ricardo Rao, pela obra Antologia Brutalista.

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