
Doing Business Angola focado no sucesso das privatizações
As privatizações em Angola começaram em 2019 e foram genericamente bem-sucedidas. Na fase final do processo, há ainda, segundo Álvaro Fernão, PCA da IGAPE, diversas empresas interessantes para os investidores. Principalmente para aqueles que quiserem ter uma palavra a dizer no futuro de África. A reflexão foi deixada na conferência “Doing Business Angola”, organizada pelo ‘Jornal Económico’ e revista ‘Forbes África Lusófona’, que tem lugar esta quarta-feira em Lisboa.
O programa angolano de privatizações (desde 2019 a 2026) privatizou cerca de 120 activos nacionais, contratualizou cerca de 1,3 mil milhões de dólares e entrou naquilo que Álvaro Fernão, PCA IGAPE, definiu como “a recta final do programa de privatizações”, onde há ainda dez activos a privatizar. São “activo estratégico, dos quais três deverão acontecer em Bolsa”.
O primeiro foco daquilo que está no ‘pipeline’ das privatizações é o turismo. “Alavancar o turismo faz parte desta grande reforma liderada pelo governo. “Privatizámos 15 activos hoteleiros dentro do programa, contratualizámos cerca de 50 milhões de dólares. É responsabilidade do programa de privatizações não só arrecadar valores monetários, mas também garantir empregos”, recordou Álvaro Fernão.
Bolsa é a melhor forma de privatizar
“Temos 30 activos hoteleiros neste momento em preparação para a negociação em coordenação com o Ministério do Turismo. Estarão disponíveis no segundo semestre deste ano, com os investidores a poderem negociar de forma B2B. A Bolsa de Valores é claramente a melhor opção que temos para privatizar”. Até porque, efectivou, “isso claramente melhora a governança de todas as empresas, a exigência dos acionistas é maior, os conselhos de administração e comissão executiva precisam trabalhar mais para responder a exigência dos acionistas.”
Aquele responsável disse que “o múltiplo depois do lançamento do IPO das operações está em mais ou menos 4,7%. Ou seja, depois do lançamento dessas operações em IPO, a flutuação do mercado secundário levou esses activos a um máximo de 4,7% do seu valor. Uma boa oportunidade para os investidores, claramente: os números mostram que o mercado tem funcionado bem, há uma valorização dos activos”. Voltando ao turismo, “desses dez ativos que temos para privatizar, nós temos três ou quatro que serão em oferta pública inicial”.
“Neste momento está a decorrer o processo de subscrição para 15% da Unitel, o processo vai de 6 a 24 de Julho”. Portanto, se é um montante de capitalização de cerca de 300 mil milhões de dólares, é o que temos para a Unitel. De seguida, haverá a fase final do Standard Bank, “um banco africano que tem uma boa rentabilidade, privatizar 10% em Bolsa e 24% junto do parceiro Standard Bank Group, da África do Sul. A Indiama e a Simangola serão os próximos activos em Bolsa, “portanto esses processos estão em preparação também para ocorrerem no segundo semestre de 2026. Em concurso público, por prévia qualificação”, para garantir que os parceiros selecionados para integrar essas empresas tenham capacidade financeira, tecnológica e económica.
Voltando à Unitel, Álvaro Fernão explicou que é a maior operadora móvel do país. “São 300 milhões de dólares de colocação”. “Depois de termos concretizado o BFA com 230 milhões de
dólares há cerca de 8 ou 9 meses, essa vai ser a maior operação da Bolsa de Valores Angolana. A Unitel está neste momento em período de subscrição para os acionistas.
No Standard Bank Group a privatização chegará a 34% do capital: 24% por parceiro e 10% para o público em geral em bolsa. É um ativo que tem um resultado líquido na ordem dos 150 milhões de dólares. O ‘dividend payout’ nos últimos anos foi de cerca de 60%, ou seja cerca de 90 milhões de dólares. É, portanto, “um banco muito rentável, não pela dimensão, mas pelas operações e estará também disponível para investidores em bolsa até ao quarto trimestre deste ano. Portanto, em setembro e outubro devemos ter esta operação concluída”.
O BCA “é uma operação bem mais pequena, são 1,4% de ações, requer a lei das privatizações que façamos um concurso público, uma vez que não podemos fazer vendas diretas. Portanto, iremos lançar a operação também até ao quarto trimestre e o que poderá também acontecer é que os acionistas do banco exerçam o seu direito de preferência”; referiu aquele responsável.
“Depois temos dois ativos de comunicação. Temos 100% da TV Zimbo e 100% da Média Nova”. A TV Zimbo é um canal aberto, também com distribuição a cabo e tem nos seus ativos a TV Zimbo Internacional. Já a Média Nova tem jornais, revistas, seis rádios em províncias diferentes em Angola. “Estes dois ativos estão disponíveis também para a privatização de 100% das suas ações. Lançaremos o concurso e escolheremos o parceiro que melhor apresentar as propostas dentro daquilo que for o caderno de encargo da privatização”, disse Álvaro Fernão.
Já a Indiama “não é só a nossa grande gestora de ativos de diamante, mas também é a clínica e outros ativos interessantes, “que poderemos ver se entram ou não no perímetro de privatização”. Está previsto a privatização até o final do ano de 15% em Bolsa.
A TAAG também está prevista para privatizar 15% por via da atracção de um parceiro estratégico, nos mesmos termos que a Angola Telecom. “Queremos um parceiro estratégico que traga know-how, expertise operacional e robustez financeira, para juntos conseguimos conduzir o programa de reestruturação e continuar a expandir aquela que é a nossa companhia de bandeira”. Para a Simangola está prevista também 15% em Bolsa ou por prévia qualificação. “Neste ativo temos claramente duas opções que devemos definir até o final do ano qual melhor vai se adequar”.
Finalmente, a Zona Económica Especial é um ativo que está 15% disponível para privatização. “Estamos nesse momento a preparar a avaliação e o prospeto para colocar este ativo no mercado. Ou seja, são mais de mil lotes industriais que têm todo o tipo de empresas, claramente organizadas em quarteirões para garantir a segurança e a conformidade da produção”.
Álvaro Fernão concluiu que “nós temos, para além de receitas, é alavancar estas empresas, maximizar o seu potencial, internacionalizar as empresas e para isso precisamos de estratégia e de parceiros estratégicos connosco para levar estes projetos a cabo”.
Texto adaptado do ‘Jornal Económico’