
Moçambique, Essuatíni e África do Sul planeiam criação de zona económica como trunfo contra a xenofobia
A ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, afirmou que a solução para a xenofobia passa pela criação de mais postos de trabalho, avançando que Moçambique, África do Sul e Essuatíni estão agora a apostar na criação de uma zona económica especial na fronteira conjunta.
A África do Sul tem vivido manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, Este do país.
Segundo a governante, a solução para a crise não é policial ou militar, mas o desenvolvimento económico dos países para poder dar-se emprego. “A África do Sul está a criar uma zona económica especial na fronteira. Do lado sul‑africano, o projecto está numa fase bastante avançada e houve agora consenso para a sua extensão ao lado moçambicano e ao de Essuatíni.”
Citada pela agência Lusa, Maria Lucas sublinhou que a zona económica especial tripartida deverá impulsionar o desenvolvimento regional, tendo em conta que muitos moçambicanos se deslocam para a África do Sul em busca de trabalho.
O Ministério do Trabalho, Género e Acção Social (MTGAS) de Moçambique informou ter enviado uma delegação à África do Sul para acompanhar de perto a situação dos trabalhadores moçambicanos, na sequência dos actos xenófobos perpetrados contra cidadãos estrangeiros de origem africana.
Na semana passada, migrantes africanos em Pretória foram alertados para manter “elevada vigilância” durante uma marcha contra a imigração ilegal, devido a receios de possíveis episódios de violência xenófoba.
A África do Sul acolhe cerca de 2,4 milhões de migrantes, pouco menos de 4% da população, segundo dados oficiais. A maioria provém de países vizinhos como o Lesoto, o Zimbabwe, Zâmbia e Moçambique, que têm uma longa história de fornecimento de mão-de-obra migrante ao seu vizinho mais próspero.
Ao abordar a xenofobia na África do Sul, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou o que classificou como “actos criminosos perpetrados por indivíduos que incitam à violência e exploram condições socioeconómicas.”
Em declarações transmitidas pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, na segunda-feira, recordou aos sul-africanos que a sua luta contra o apartheid foi “sustentada pela solidariedade internacional e africana.”
O secretário‑geral das Nações Unidas manifestou preocupação com relatos de “ataques xenófobos e actos de assédio e intimidação”, alertando que “a violência, o vigilantismo e todas as formas de incitamento ao ódio não têm lugar numa sociedade inclusiva e democrática.”