Estamos juntos

Secretário-Geral da ONU condena assassínio a tiro de procurador no Equador

O secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou de forma veemente” o assassínio a tiro de César Suárez, o procurador encarregado da investigação ao assalto a uma emissora de televisão no Equador.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, indicou ainda que o português “reitera a sua preocupação com a situação de segurança actualmente vivida no Equador” e enviou “as mais profundas condolências à família e aos colegas” de Suárez.

O chefe da Polícia Geral equatoriana, César Zapata, disse na quinta-feira, dia 18, que dois suspeitos do homicídio de Suárez foram detidos, após uma operação policial e militar na prisão de Guayaquil, a cidade costeira onde ocorreu o ataque ao canal público de televisão.

Um juiz decretou a prisão preventiva dos dois homens, alegados membros do grupo de crime organizado Los Choneros, enquanto a polícia continua à procura de dois outros suspeitos de envolvimento no crime.

Suárez, que tinha liderado investigações que deixaram evidente a infiltração da máfia no sistema judicial e escândalos de corrupção na compra de material médico durante a pandemia da covid-19, foi morto a tiro ao volante do carro na área portuária de Guayaquil.

“Em resposta ao assassínio do nosso colega César Suarez (…) serei categórica: grupos do crime organizado, criminosos e terroristas não impedirão o nosso compromisso com a sociedade equatoriana”, reagiu a procuradora-geral, Diana Salazar, na quarta-feira, num vídeo divulgado nas redes sociais. Salazar relatou ameaças de morte directas do grupo Los Lobos, uma das principais organizações criminosas, cujo líder, Fabricio Colon Picole, fugiu da prisão na semana passada.

Os procuradores equatorianos estão sob a ameaça de cerca de 20 organizações criminosas que operam no país, que já foi um refúgio de paz, mas foi devastado pela violência depois de se tornar o principal ponto de exportação da cocaína produzida nos vizinhos Peru e Colômbia.

Em Junho, o procurador Leonardo Palacios foi morto por homens armados na cidade de Duran, vizinha de Guayaquil.

A presença na emissão televisiva em directo, a 9 de Janeiro, de homens fortemente armados e encapuzados, imobilizando jornalistas e funcionários do canal público de televisão, chocou o país, confrontado com uma onda de violência desencadeada por grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. A rápida intervenção da polícia permitiu pôr fim à tomada de reféns sem causar vítimas, tendo sido detidos 13 agressores.

O ataque à televisão pública foi o clímax da cadeia de violência desencadeada pela fuga, poucos dias antes, do líder do grupo Los Choneros, Adolfo Macias.

Para restaurar a ordem, o Presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou “estado de guerra” contra os grupos criminosos organizados e enviou mais de 20 mil soldados para as ruas.

A violência no país já provocou pelo menos 19 mortes e, nos últimos meses, tanques de guerra patrulham o país e o Exército tenta recuperar o controlo das prisões.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...