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Irmãs malawianas fazem furor no futebol

Temwa e Tabitha, duas das cinco irmãs da família Chawinga, oriundas do Malawi, país do sudeste africano, não tinham como perspectivar estarem no centro do futebol mundial. Andaram quase sempre de mãos dadas. Se Temwa se tornou na jogadora com mais golos em 2023 (63, mais do que os 54 de Cristiano Ronaldo, o principal goleador masculino do ano), a culpa é também de Tabitha.

“No Malawi e na maior parte de África, os pais acreditam que é preciso ir à escola para nos sairmos bem. Fui eu que levei a minha irmã mais nova, Temwa, a jogar futebol. Sempre que voltava para casa, enfrentava a dura lei dos meus pais”, contou Tabitha ao The Guardian. Ambas começaram a jogar com rapazes. Aos 13 anos, Tabitha foi a primeira a ser contratada por um clube local e recomendou que a equipa assinasse também com Temwa. “Não fiz isso porque ela é minha irmã mas porque conhecia o potencial dela”, disse Tabitha à FIFA. “Eu queria que a Temwa tentasse a sorte num grande clube onde pudesse melhorar, tanto mental quanto tecnicamente”.

O Malawi não é propriamente uma reserva natural de talento futebolístico e as circunstâncias não ajudam. Tabitha contou ao The Guardian que num jogo no seu país foi forçada a despir-se para provar que era uma mulher. “Nunca fui tão arrasada, chorei pelo constrangimento a que fui exposta. Queria sair imediatamente, mas de alguma forma as minhas companheiras consolaram-me e decidi terminar o jogo”.

Por isso, não é de estranhar que, quando teve a primeira oportunidade na Suécia, Tabitha se tenha tornado na primeira mulher do Malawi a representar um clube europeu, no caso, o Krokom/Dvarsatts IF, emblema do terceiro escalão do país. Depois de uma passagem pelo Kvarnsvedens IK, em 2017, Tabitha deixou a Escandinávia e rumou à China, ao Jiangsu Suning, acabando por ser substituída pela própria irmã.

As semelhanças no percurso de ambas não se ficam por aí, pois, em 2020, Temwa também se transferiu para a China, mas para o Wuhan Jianghan. Tabitha seguiu outros caminhos, rumando ao Inter e, depois, ao PSG, clube francês com o qual teve oportunidade de jogar e marcar na Liga dos Campeões. O protagonismo que Temwa Chawinga assumiu com os 63 golos que marcou esta temporada – 51 pelo clube e 12 pela selecção – também podem fazer a jogadora de 25 anos sonhar com novos voos, que está a caminho dos EUA.

Em 2023, Temwa Chawinga ajudou o Malawi a vencer pela primeira vez a COSAFA Cup, uma competição destinada a seleções do sudeste africano. A equipa não recebeu qualquer compensação financeira pela conquista.

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