
Homem acusado no Reino Unido por crimes relacionados com o genocídio do Ruanda de 1994
Um homem ruandês que vive no norte de Londres tornou-se a primeira pessoa a ser acusada no Reino Unido por crimes relacionados com o genocídio do Ruanda de 1994, anunciou o Crown Prosecution Service (CPS), o Ministério Público britânico, citado pela BBC.
O médico Vincent Brown, anteriormente conhecido como Vincent Bajinya, de 65 anos, foi acusado de um crime de participação acessória em genocídio e de seis crimes de participação acessória em homicídios considerados crimes contra a humanidade.
Frank Ferguson, director da Divisão de Crimes Especiais e Contraterrorismo do CPS, afirmou que Brown é acusado de ter “dirigido e incitado actos de homicídio e genocídio praticados por terceiros”.
Brown deverá comparecer hoje, terça-feira, dia 22, perante o Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres.
Ferguson explicou que a decisão de apresentar acusações foi tomada “após a análise de um dossier de provas apresentado pela equipa de Crimes de Guerra da Polícia Metropolitana de Londres”.
“Concluímos que o nosso teste jurídico para a apresentação de acusações criminais tinha sido cumprido”, acrescentou.
A equipa de Crimes de Guerra iniciou a investigação em Setembro de 2019, na sequência de um pedido formal do Governo do Ruanda para investigar pessoas alegadamente envolvidas no genocídio ocorrido no distrito de Rugenge, em Kigali, em Abril de 1994.
Durante cerca de 100 dias, em 1994, estima-se que 800 mil pessoas da etnia tutsi e hutus politicamente moderados tenham sido mortos no Ruanda por extremistas hutus. Os extremistas tinham como alvo membros da minoria tutsi e hutus moderados bem como os seus opositores políticos, independentemente da sua origem étnica.
As forças predominantemente tutsis que tomaram o poder na sequência do genocídio foram também acusadas de terem matado milhares de hutus no Ruanda, numa acção de retaliação.
A Polícia Metropolitana de Londres afirmou que as acusações contra Brown resultam de uma “investigação complexa e extensa, com uma duração de sete anos”.
A comandante Helen Flanagan, responsável pelo policiamento antiterrorista em Londres, afirmou: “Este caso demonstra que o Reino Unido não é um refúgio seguro para indivíduos suspeitos de cometer crimes internacionais.”
“As equipas de Crimes de Guerra continuam empenhadas em garantir que os suspeitos de envolvimento em genocídio e outros crimes de atrocidade sejam responsabilizados através do devido processo legal.”
“Continuam igualmente em curso várias outras investigações sobre indivíduos no Reino Unido por crimes semelhantes relacionados com o genocídio no Ruanda.”