
Europeus apoiam leis mais rigorosas contra tráfico de animais selvagens
Oitenta e quatro por cento dos europeus apoiam leis mais rigorosas contra o tráfico de animais selvagens, mas apenas um terço sabe qual é a importância da Europa em termos do negócio, indica um relatório divulgado esta semana.
O estudo “Liked to Death” (Amados até à Morte), com base num inquérito realizado em 2025 e encomendado pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW, sigla em inglês), menciona a Europa como um mercado e centro de trânsito fundamental para este comércio.
Segundo o inquérito, 82% dos europeus consideram o tráfico de animais selvagens um grave problema global que necessita de mais atenção e 70% não acreditam que os animais selvagens sejam bons animais de estimação.
Os que pensam que os cidadãos podem desempenhar um papel na redução do tráfico ascendem a 54% e apenas um em cada três inquiridos sabe que as plataformas digitais desempenham um papel significativo no mesmo, enquanto três em cada quatro afirmam saber pouco ou nada sobre o fenómeno.
O relatório alerta que “a procura europeia por animais de estimação exóticos e a disseminação de vídeos virais nas redes sociais contribuem para alimentar um negócio que causa sofrimento animal, ameaça a biodiversidade e beneficia as redes criminosas”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
De acordo com o IFAW, uma das maiores organizações do mundo ligadas à conservação animal, as redes sociais contribuíram para a normalização da criação de animais selvagens como animais de estimação e funcionam como um mercado virtual que liga compradores e vendedores além-fronteiras.
“Os traficantes de animais selvagens estão a explorar as oportunidades lucrativas criadas pelos vídeos virais que mostram animais selvagens mantidos como animais de estimação”, afirmou Ilaria Di Silvestre, directora de Políticas para a Europa do IFAW, citada pela EFE.
A organização estima em 64 milhões os animais de estimação exóticos na Europa, assinalando que a União Europeia (UE) está entre os maiores importadores mundiais de animais selvagens, incluindo espécimes capturados ilegalmente.
Em 2019, indica o relatório, os Estados-Membros declararam importações no valor de 1,25 mil milhões de euros de espécies listadas na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).
Acrescenta que, em 2023, foram intercetados pelas autoridades europeias 600.000 animais vivos traficados ilegalmente, pertencentes a 574 espécies.
Em 2025, o IFAW tornou-se a primeira entidade de conservação reconhecida como “Denunciante Confiável” ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais da UE, tendo denunciado entre Março e Dezembro 118 anúncios suspeitos em cinco plataformas, dos quais quase 75% foram removidos, adianta a EFE.
Para combater o problema, a organização pede que se acabe com as lacunas legais que estimulam crimes contra a vida selvagem ao permitirem o tráfico de animais e que seja criminalizada a importação e venda de espécies protegidas nos seus países de origem, sugerindo ainda a criação de “listas positivas”, determinando quais os animais que podem ser legalmente mantidos como animais de estimação.
Segundo o IFAW, o tráfico mundial de animais selvagens movimenta anualmente entre 7 mil milhões e 23 mil milhões de dólares, sendo assim um dos maiores mercados ilícitos do mundo e um importante motor do crime organizado.