Estão previsto 100 projectos na ordem dos 6 mil milhões de USD para o Corredor do Lobito
O Corredor do Lobito conta com cerca de 100 projectos identificados, dos quais 21 agrícolas e alguns já em curso, estimando-se que o investimento atinja os 6 mil milhões de dólares, de acordo com estudos preliminares.
Os dados foram avançados pelo director de Inovação e Planeamento Estratégico da Agência Reguladora de Certificação de Carga e Logística de Angola (ARCCLA), Avelino Chimbulo, que apresentou, no Fórum Empresarial Angola-União Europeia do Corredor do Lobito, o Plano Director do Corredor do Lobito (PDCL), um instrumento orientador que está a ser desenvolvido de forma faseada e que visa definir a estratégia de desenvolvimento económico do corredor, o modelo de governança e o papel do sector privado como catalisador do investimento.
Avelino Chimbulo afirmou que foram identificadas mais de cem oportunidades em sectores críticos, com destaque para a agricultura e o agro-negócio, as infra-estruturas de transportes e logística — descritas como catalisadoras do investimento agrícola —, o turismo, a indústria e a manufactura.
Algumas iniciativas “estão a maturar e precisam de ser alavancadas”, outras já fazem parte da carteira de projectos, como o “cluster do abacate”, que está a exportar para a Holanda, detalhou.
Os investimentos foram estimados em cerca de 6 mil milhões de dólares num estudo preliminar do IFC (International Finance Corporation) — o braço de investimento privado do Banco Mundial —, que serviu de base ao trabalho de planeamento em curso.
Plano com três fases
O PDCL está a ser desenvolvido em três fases. As duas primeiras — preparação e recolha de dados — estão concluídas e a terceira fase, actualmente em curso, envolve estudos temáticos detalhados e culminará num plano de investimento com projectos estruturantes por província, com iniciativas de curto, médio e longo prazo.
“Isto vai ajudar-nos a definir as necessidades de investimento. Na terceira fase, no vamos ter um roteiro concreto, com iniciativas de curto, médio e longo prazo, níveis de investimento necessário e projectos estruturantes a nível das províncias que acompanham o Corredor”, referiu Avelino Chimbulo.
O Corredor do Lobito é um eixo ferroviário com 1.300 quilómetros de extensão que atravessa cinco províncias angolanas — Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste — e se prolonga até à República Democrática do Congo (RDC) e futuramente à Zâmbia, ligando o Porto do Lobito, no Atlântico, à região mineira do Copperbelt.
Aproximadamente 80% do potencial de mercado do corredor é gerado pela região do Katanga, na RDC, de onde provêm exportações de cobalto, cobre, níquel e lítio com destino ao mercado internacional.
O PDCL identificou já 22 oportunidades específicas na agricultura, silvicultura, pescas e agro-indústria — o sector com mais projectos identificados —, incluindo pólos de processamento de cereais, frutas e horticultura, clusters de café e mel, aquacultura e centros de cadeia de frio. Na logística e transportes foram identificadas sete oportunidades, incluindo uma plataforma logística no Bié e um mercado transfronteiriço em Luau, no Moxico.
O futuro mecanismo de governança do corredor será a Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito (SDCL), uma empresa pública criada em Janeiro de 2026 com a missão de administrar, coordenar, supervisionar e promover as actividades de desenvolvimento económico do corredor e atrair investimento estratégico nos sectores da agricultura, indústria, turismo e serviços.
A concessão do Corredor do Lobito é operada pela LAR (Lobito Atlantic Railway), que venceu em 2023 uma concessão de 30 anos e integra três empresas europeias: Mota-Engil, Trafigura e Vecturis.