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Conferência da diáspora africana nas Américas quer reparações históricas

A Conferência da Diáspora Africana nas Américas que terminou no dia 31, em Salvador, no Brasil, emitiu uma carta que promove a reparação e a justiça social para os afrodescendentes, além da restituição de bens culturais.

O documento, que resulta de três dias de debate, apresenta recomendações para superar os efeitos “perversos” da escravatura, fortalecer o movimento pan-africanista e resgatar a memória dispersa da diáspora.

A chamada “Carta de Salvador” visa também a devolução de bens culturais e o apoio mútuo na reconstrução das sociedades afectadas por séculos de colonialismo e escravatura.

A ministra brasileira da Igualdade Racial, Anielle Franco, emocionada, destacou a importância do evento e a força da ancestralidade. “Este encontro, além de toda a emoção que simboliza, é um momento de reverenciar todas as gerações presentes e todas as que ajudaram a construir este momento. Hoje é um dia especial, uma semana de justiça, e quando mais precisei, foi o movimento de mulheres negras que me sustentou. A nossa história não traz apenas dor, mas também resiliência e força. A nossa luta é colectiva, e enquanto estivermos aqui, honraremos cada passo dado antes de nós”, afirmou.

A Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi), Angela Guimarães, por sua vez, ressuscitou a relevância histórica do encontro e a conexão com a União Africana. “Este é um momento histórico pelo reconhecimento do Brasil como uma sexta região da diáspora africana nas Américas. Estamos fazendo história ao propor uma relação diplomática de horizontalidade, compartilhamento de responsabilidades, e uma agenda de memória, restauração, restituição e reconstrução”, declarou.

Próximos passos

O documento resultante dessas discussões, a “Carta de Recomendação da Conferência da Diáspora Africana nas Américas”, será apresentado à União Africana e contribuirá para os debates do 9º Congresso Pan-Africano, que ocorrerá de 29 de Outubro a 2 de Novembro de 2024, em Lomé, Togo. Além disso, a carta, as Notas Conceituais e o Relatório da Conferência serão publicados em plataformas específicas para garantir ampla divulgação.

Refira-se que a conferência foi organizada pela União Africana, com o apoio do governo brasileiro, e contou com a participação de delegações de cerca de 40 países dos dois continentes.

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