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Candidato Ince abandona corrida à presidência da Turquia

A três dias da votação presidencial mais disputada dos últimos anos na Turquia, Muharrem Ince, um dos quatro candidatos, anunciou hoje, dia 11, que abandonou a corrida.

Ince tem estado sob crescente pressão acusado de dividir os votos da oposição, numa altura em que esta tem uma excelente oportunidade de afastar Recep Tayyip Erdogan do poder. “Vou retirar a minha candidatura à presidência do país”, disse aos jornalistas. Entre as razões que o levaram a desistir citou as fotografias sexuais falsas. Queixou-se que, durante 45 dias, foi caluniado e vítima de assassínio de carácter, denunciando que as autoridades turcas não protegeram a sua reputação. “Facturas falsas, vídeos falsos, fotografias… foram buscar um vídeo de um site pornográfico israelita e puseram o meu rosto”, afirmou. E acrescentou: “Infelizmente, algumas pessoas na Turquia partilharam esses vídeos por visarem pessoas oposição.” Ince adiantou também que não queria ser responsabilizado pela aliança dos partidos da oposição se perdessem a votação presidencial.

A decisão de Ince de se retirar dá ao maior rival do Presidente Erdogan, Kemal Kilicdaroglu, um grande impulso, tendo a principal bolsa de valores da Turquia disparado com a notícia.

Erdogan está na presidência do país há mais de 20 anos, mas a Turquia debate-se com uma taxa de inflação de 44%. Foi também criticado por sucessivas falhas na resposta ao terramoto de Fevereiro que matou mais de 50.000 pessoas em 11 províncias.

Kilicdaroglu, um homem de 74 anos, de voz suave, lidera uma aliança de seis partidos da oposição e as últimas sondagens dão-lhe 49% dos votos. Embora Ince fosse recolher apenas uma pequena parte dos votos, os apoiantes da oposição esperam que o seu abandono da corrida seja suficiente para fazer com que o Kilicdaroglu ultrapasse os 50% necessários para ganhar as eleições de domingo. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, haverá uma segunda volta duas semanas mais tarde.

Refira-se que Ince, de 59 anos, há cinco anos, obteve 30% dos votos para o principal partido da oposição, o Partido Popular Republicano, mas no ano seguinte desvinculou-se desta formação política.

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