
Joseph Kabila junta-se ao M23 e assume liderança de nova frente político-militar na RDC
O antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, assumiu a liderança da Frente para a Refundação da Nação (FRN), um novo movimento político-militar que integra o grupo armado M23, activo no leste do país. A criação da nova estrutura foi anunciada na segunda-feira, 12 de Outubro, durante uma conferência de imprensa realizada em Goma, cidade sob controlo dos rebeldes.
A formação da FRN foi comunicada por um representante da ala política do movimento, na presença de Kabila, que governou a RDC entre 2001 e 2019. Segundo o anúncio, a nova organização resulta da união entre o antigo chefe de Estado e o M23, integrando a Aliança Rio Congo (AFC), estrutura política anteriormente associada ao grupo armado, que foi dissolvida no âmbito desta reorganização.
Com 55 anos, Joseph Kabila foi condenado à morte à revelia, no final de Setembro de 2025, por crimes de traição e de guerra. A justiça militar congolesa acusou-o de ter participado na criação da AFC, considerada o braço político do M23.
Disputa política em Kinshasa
O anúncio da nova aliança surge num período de incerteza política na RDC, onde o actual Presidente, Félix Tshisekedi, se aproxima do fim do seu segundo mandato, previsto para 2028. A Constituição estabelece um limite de dois mandatos presidenciais de cinco anos, mas sectores próximos do Governo têm promovido o debate sobre uma eventual revisão constitucional que permita a Tshisekedi concorrer a um terceiro mandato.
A possibilidade de alteração da Constituição tem sido contestada pela oposição, que acusa o chefe de Estado de procurar prolongar a sua permanência no poder. Em resposta, forças oposicionistas organizaram manifestações em Junho e Setembro.
As Nações Unidas lamentaram a morte de, pelo menos, uma pessoa durante a primeira manifestação, realizada na capital, Kinshasa. Na segunda mobilização, a oposição denunciou o alegado assassínio de um dos seus membros.
Conflito no leste continua sem solução
A situação política é agravada pela persistência da violência armada no leste da RDC, uma região afectada por conflitos há mais de três décadas. Apesar das sucessivas iniciativas diplomáticas, os esforços para alcançar uma solução duradoura não produziram resultados concretos.
Com o apoio do Ruanda e do respectivo exército, segundo acusações que Kigali tem sido chamado a enfrentar no plano internacional, o M23 controla extensas áreas das províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul.
No início de 2025, uma ofensiva do grupo armado permitiu a conquista de Goma e Bukavu, as duas principais cidades do leste congolês, obrigando as forças governamentais a recuar.
As tentativas de pôr fim às hostilidades também não conseguiram travar os combates. Um acordo celebrado em Dezembro de 2025 entre Kinshasa e Kigali, sob mediação dos Estados Unidos, não se traduziu numa alteração significativa da situação no terreno.
Em Julho de 2025, o Governo congolês e o M23 tinham igualmente assumido, no quadro de uma mediação do Qatar, o compromisso de respeitar um cessar-fogo. Contudo, a trégua continua a ser violada, mantendo-se a instabilidade numa das regiões mais afectadas pela violência na África Central.