
Leão XIV pede prioridade à protecção das crianças migrantes
Leão XIV considerou que as crianças constituem um dos grupos mais vulneráveis entre as populações migrantes e defendeu que instituições públicas e privadas devem assumir responsabilidades acrescidas na sua protecção.
O Papa Leão XIV apelou hoje, quarta-feira, dia 23, à “responsabilidade de todos” na protecção das crianças migrantes, alertando para as situações de violência, exploração e sofrimento a que estão sujeitas e defendendo uma mudança na forma como é abordado o fenómeno migratório.
Numa intervenção na Praça de São Pedro, no Vaticano, após a audiência semanal, o pontífice dedicou uma atenção particular às crianças “que são forçadas a abandonar a sua terra natal”, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado e do Migrante, assinalado pela Igreja Católica a 27 de Setembro.
Leão XIV considerou que as crianças constituem um dos grupos mais vulneráveis entre as populações migrantes e defendeu que instituições públicas e privadas devem assumir responsabilidades acrescidas na sua protecção.
“As crianças e os adolescentes sofrem, muitas vezes, dificuldades indizíveis, violência, tortura, exploração e situações traumáticas, e não é incomum que percam a vida nas rotas migratórias”, afirmou.
Na mensagem dirigida aos migrantes, o Papa sustentou que a protecção e a dignidade das crianças e adolescentes devem estar no centro da actuação das instituições, defendendo igualmente o reagrupamento familiar e medidas destinadas a evitar os efeitos traumáticos da separação.
“É urgente uma mudança de perspectiva: o foco do debate deve passar da mera gestão dos fluxos migratórios para a protecção plena e imediata dos direitos humanos”, afirmou, apelando a uma resposta “coordenada, solidária e eficaz”, capaz de assegurar protecção, acolhimento e oportunidades de integração.
Esta não é a primeira vez que Leão XIV chama a atenção para a situação das crianças migrantes. Na sequência da crise de Ceuta, no final de Julho, quando cerca de 70 mil pessoas provenientes de Marrocos, entre as quais muitas crianças e jovens, entraram ilegalmente no enclave espanhol no Norte de África, o Papa apelou às autoridades e às equipas de socorro para que colocassem a protecção e a dignidade dos menores em primeiro plano. “É preciso que as instituições coloquem no centro a protecção e a dignidade de cada criança e adolescente”, afirmou então.
Conflitos e crises agravam migração infantil
O fenómeno da migração infantil tem-se agravado nos últimos anos, impulsionado por novos conflitos armados, crises climáticas e situações de instabilidade económica.
O relatório Emergency Watchlist 2026, publicado em Dezembro de 2025 pelo International Rescue Committee (IRC), identificou 20 países considerados particularmente expostos ao risco de novas crises humanitárias ou ao agravamento de emergências existentes. A organização descreveu o actual contexto internacional como uma “Nova Desordem Global”, salientando que as crianças estão entre as populações mais afectadas.
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que uma em cada quatro vítimas de tráfico de seres humanos é uma criança.
A organização estima que existam mais de 125 mil vítimas de tráfico identificadas em todo o mundo, embora o número real possa ser bastante superior devido à subnotificação e às dificuldades na identificação das vítimas.
“Milhões de crianças em movimento enfrentam riscos acrescidos de exploração e tráfico, mas permanecem, muitas vezes, invisíveis nas políticas globais e nos sistemas de protecção”, afirmou a directora-geral da OIM, Amy Pope, numa mensagem divulgada em Fevereiro.