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Ramaphosa pede cessar-fogo humanitário na RDC para travar propagação do Ébola

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou ontem, segunda-feira, dia 17, a um cessar-fogo humanitário imediato no leste da República Democrática do Congo (RDC), de modo a permitir o acesso seguro dos profissionais de saúde às comunidades afectadas pelo surto de Ébola.

O apelo foi feito durante o discurso de abertura da 46.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizada em Durban, África do Sul.

“Pedimos um cessar-fogo humanitário imediato nas zonas de conflito afectadas e um acesso seguro para que os trabalhadores de saúde possam chegar a cada comunidade afectada”, afirmou Ramaphosa.

A África do Sul, que exerce actualmente a presidência rotativa da SADC, defendeu igualmente o respeito pelas instalações e operações de saúde no leste da RDC, região marcada por confrontos entre o Exército e dezenas de grupos armados.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Governo congolês, o actual surto de Ébola já provocou 2.325 mortes entre 4.945 casos confirmados, ultrapassando a epidemia registada entre 2018 e 2020, que causou 2.229 mortes em 3.481 casos.

Ramaphosa apelou ainda aos governos da região para evitarem restrições indiscriminadas às viagens e ao comércio, considerando que estas medidas não são sustentadas por evidências de saúde pública e podem dificultar o controlo da epidemia.

“Tais restrições não são apoiadas por evidências de saúde pública. Prejudicam as economias, alteram os meios de subsistência e podem impulsionar deslocações através de passagens fronteiriças não supervisionadas, dificultando assim o controlo”, afirmou.

O Presidente sul-africano defendeu também a canalização urgente dos fundos já prometidos e a realização de investimentos sustentados para reforçar a vigilância epidemiológica e a capacidade africana de produção de vacinas e medicamentos.

Integração regional

No plano económico, Ramaphosa considerou que a integração regional está a avançar a um ritmo “demasiado lento”, apesar de a SADC ter registado um crescimento económico de 3,4% em 2025.

O chefe de Estado sul-africano lamentou que o comércio entre os 16 países da organização represente apenas cerca de 20% do comércio total do bloco e defendeu uma redução da dependência da exportação de matérias-primas não transformadas.

“Cada mineral bruto exportado sem processamento representa um valor que saiu das nossas costas. Cada produto importado que poderia ser fabricado de forma competitiva aqui representa empregos que poderiam ter sido criados nas nossas comunidades”, sublinhou.

Para inverter esta tendência, Ramaphosa apelou à aceleração do Plano Indicativo Estratégico de Desenvolvimento Regional 2020-2030, através do reforço da industrialização e do processamento local de minerais e produtos agrícolas.

Defendeu igualmente investimentos em infra-estruturas de transporte e o reforço da segurança energética, hídrica e digital transfronteiriça, com o objectivo de aprofundar a integração económica da região.

O Presidente sul-africano incentivou ainda os países da SADC a tirar maior partido da Área de Livre Comércio Continental Africana, eliminando barreiras não tarifárias que dificultam a circulação de bens, serviços e capitais.

Surto ultrapassa epidemia anterior

Segundo informações recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o actual surto de Ébola começou a circular no leste da RDC em Fevereiro. Contudo, uma investigação publicada no final de Julho na revista Science indicou que as primeiras infecções poderão ter ocorrido ainda em Janeiro.

Depois de a epidemia ter sido declarada na província de Ituri, o vírus propagou-se para o vizinho Uganda. O país declarou-se livre do Ébola a 28 de Julho, depois de registar 20 casos confirmados, incluindo 15 considerados importados da RDC, e duas mortes.

A actual epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%. De acordo com a OMS, não existe actualmente uma vacina autorizada nem um tratamento específico para esta estirpe.

O vírus do Ébola transmite-se através do contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e pode provocar febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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