
Igreja Católica em Angola diz que Papa vai encontrar famílias “alegres”
A Igreja Católica angolana disse hoje que o Papa vai encontrar em Angola famílias “alegres, capazes de sonhar e contornar dificuldades” e considerou que o país precisa de uma “efetiva reconciliação a todos os níveis”.
A Igreja Católica angolana disse ontem, segunda-feira, dia 6, que o Papa vai encontrar em Angola famílias “alegres, capazes de sonhar e contornar dificuldades” e considerou que o país precisa de uma “efectiva reconciliação a todos os níveis”.
A Arquidiocese de Luanda abordou ontem, em conferência de imprensa, os preparativos da visita do Papa Leão XIV a Angola, entre 18 de 21 de Abril, salientando que todos os religiosos estão mobilizados e irmanados para receber o Pontífice.
O ponto de situação sobre a preparação da visita do Papa foi apresentado pelo arcebispo de Luanda, Filomeno Vieira Dias, que, no início da sua intervenção, exprimiu solidariedade às famílias angolanas, sobretudo em Luanda, afectadas pelas chuvas do fim de semana.
Para o arcebispo, a visita, que se inicia em Luanda, capital do país, “encheu de entusiasmo e de alegria” a comunidade católica e mobiliza toda a sociedade: “Uma visita que nos entusiasma e, ao mesmo tempo, nos responsabiliza e nos mobiliza para acolhermos este homem que vem em nome da fraternidade universal, em nome da irmandade entre todos os homens.”
Segundo Filomeno Vieira Dias, toda a Igreja está mobilizada e organizada para receber Leão XIV, numa visita que assume “um cariz institucional – visita à nação – e também visita à comunidade cristã católica em Angola.”
“Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz” é o lema da visita do Papa a Angola, cuja agenda inclui encontros com as entidades governamentais, com o clero angolano, uma missa campal no Kilamba (Luanda), missa no Santuário da Muxima (Icolo e Bengo) e uma deslocação a Saurimo (Lunda Sul).
Para o arcebispo angolano, o Papa deve manifestar palavras que conduzem à unidade e construção de uma felicidade comum entre os angolanos, “para além dos vários ismos que (…) dividem, que (…) enfraquecem, que fragilizam a (…) construção comunitária como sociedade.”
“Certamente que o Papa virá dizer-nos a todos nós que coloquemos sempre no centro da nossa vida, da nossa sociedade, a pessoa enquanto tal, sem olhar a sua origem, construir juntos uma Angola linda, bela e maravilhosa”, respondeu aos jornalistas.
Filomeno Vieira Dias recordou, por outro lado, que Leão XIV vem a Angola “como peregrino da reconciliação” porque, sustentou, “a reconciliação não é um acto administrativo.”
“É um processo psicológico, é um processo humano, é um processo social, legislativo, a reconciliação não é um ato feito uma vez por todas, mas é algo que é construído continuamente”, realçou, salientando que Angola só poderá caminhar como povo se estiver reconciliada.
O alcance da reconciliação – no ano em que o país celebrou 24 anos de paz e reconciliação – constitui “um desafio” para o Angola, disse, frisando: “Por mais que esta palavra por vezes
ressoe mal em certos ouvidos há muitos angolanos que sentem que este é um tema que ainda deve estar sobre a mesa.”
Vieira Dias desejou que Leão XIV nomeei, “na sua liberdade e sem pressão”, um cardeal angolano, recordando que Angola é uma cristandade mais antiga ao sul do Saara.
O padre Adelino Calonda, coordenador da visita do Papa na Arquidiocese de Luanda, adiantou, citado pela agência Lusa que Leão XIV vai encontrar no país lusófono africano famílias alegres, “porque capazes de sonhar e contornar” as dificuldades sociais e económicas.
“Famílias com capacidade e com força de lutar e as respostas vão sendo dadas à medida que o tempo avançar, com a fé de que as coisas tendem a mudar e é também para isso que o Santo Padre vem, ensinar-nos a rezar e ao mesmo tempo espevitar a esperança que cada um de nós carrega no seu âmago”, argumentou.
Adelino Calonda abordou a campanha de recolha de fundos, promovida pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), para as despesas da visita do Papa, garantindo que estas serão alocadas para que a visita papal decorra “sem sobressaltos”.