
SADC quer maximizar cooperação com G20
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) quer maximizar os benefícios da cooperação com as nações do G20 este ano. A presidência rotativa do G20 foi assumida pela África do Sul, o que abre novas oportunidades para estreitar laços com as grandes economias. O ministro das Finanças sul-africano, Enoch Godongwana, revelou que a liderança do país no G20 será usada para fortalecer a actuação da SADC.
Durante o encerramento da “Reunião de Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais do G20”, Godongwana afirmou que tanto o Zimbabwe, que preside a SADC, como Angola, que preside a União Africana, serão aliados cruciais nesta jornada. O ministro destacou que, sob a liderança rotativa da África do Sul no G20, a estratégia será coordenar esforços para influenciar as economias mais industrializadas, sem que o grupo se constitua num órgão deliberativo.
O responsável pelas finanças da África do Sul enfatizou ainda que o objectivo das reuniões do G20 não é só discutir financiamentos directos para os países-membros, mas sim analisar o impacto das políticas globais no crescimento económico. “O nosso foco está em discutir as implicações das políticas globais no crescimento da economia mundial, e não em medidas financeiras concretas”, explicou Godongwana.
No final do encontro, o ministro das Finanças sul-africano destacou que, embora não tenha havido consenso para um comunicado final, houve avanços nas discussões sobre finanças sustentáveis. “Discutimos maneiras de aumentar a acessibilidade a seguros, incluindo o resseguro, para mitigar os impactos financeiros de desastres naturais”, acrescentou.
Durante o encontro foi também sublinhada a importância de um desenvolvimento coordenado e eficaz para o financiamento de questões climáticas. As recomendações do G20 focaram-se na criação de soluções práticas que permitam aos países suprir lacunas na protecção contra catástrofes naturais. A África do Sul espera que esses compromissos avancem de forma voluntária e alinhada às necessidades de cada nação.
Os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20, que se reuniram na Cidade do Cabo, África Sul, reconheceram a necessidade de uma maior complementaridade entre os fundos nacionais e os verticais para o clima. Além disso, reforçaram a importância de aumentar o co-financiamento como uma ferramenta essencial para partilhar os riscos dos investimentos climáticos, especialmente para países em desenvolvimento.
No entanto, o financiamento climático gerou controvérsia entre os países do G20. Godongwana expressou o descontentamento da África do Sul pela falta de consenso sobre como distribuir os custos desse compromisso global. “Os países mais ricos e poluentes devem assumir uma maior responsabilidade financeira nas estratégias climáticas”, defendeu.
A reunião terminou com a reafirmação do compromisso do G20 em apoiar um sistema comercial multilateral baseado em regras, justo e sustentável. Contudo, a ausência no encontro de grandes potências, como os Estados Unidos da América, China, Índia e Japão, evidenciou a resistência de algumas nações em se comprometerem com os investimentos necessários para enfrentar os desafios climáticos globais.