
União Europeia preocupada com violência pós-eleitoral em Moçambique
As notícias de dispersão violenta são bastante preocupantes”, disse um porta-voz da União Europeia (EU) numa resposta enviada à agência Lusa.
A mesma fonte pediu “contenção máxima” de todas as partes envolvidas no processo eleitoral e o “respeito pelas liberdades fundamentais e direitos políticos”.
“A UE continua a monitorizar os desenvolvimentos em Moçambique, depois dos homicídios chocantes de Elvino Dias e Paulo Guambe”, acrescentou o porta-voz.
Na manhã desta segunda-feira, a polícia moçambicana lançou gás lacrimogéneo contra o local onde o candidato presidencial Venâncio Mondlane fazia declarações aos jornalistas, a apelar à calma no âmbito da marcha que convocou, obrigando o político a fugir.
O candidato falava com os jornalistas na Praça da Organização da Mulher Moçambicana, no centro de Maputo.
Os manifestantes que se encontravam no local estavam a tentar fazer um cordão humano, mas a polícia voltou a lançar gás lacrimogéneo. Venâncio Mondlane estava a prestar declarações aos jornalistas e foi obrigado a fugir.
Um jornalista foi ferido nesta acção depois de outro ter também ficado ferido na carga policial que ocorreu ao início da manhã.
As marchas pacíficas foram convocadas por Venâncio Mondlane, no sábado, no local em que dois apoiantes foram assassinados, referindo que a greve, no sector público e privado, que tinha pedido para segunda-feira, dia 21, em contestação aos resultados preliminares das eleições de 9 de Outubro, era para manter, passando agora para a rua, e responsabilizou as Forças de Defesa e Segurança (FDS) pelo duplo homicídio.
A polícia moçambicana confirmou no sábado, à Lusa, que a viatura em que seguiam Elvino Dias, advogado de Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário do Podemos, partido que apoia Mondlane, mortos a tiro, foi “emboscada”.
As eleições gerais de 9 de Outubro incluíram as sétimas presidenciais – às quais já não concorreu o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que atingiu o limite de dois mandatos – em simultâneo com legislativas e para assembleias e governadores provinciais.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) tem 15 dias para anunciar os resultados oficiais, data que se cumpre em 24 de Outubro, cabendo depois ao Conselho Constitucional a proclamação dos resultados, após concluir a análise, também, de eventuais recursos, mas sem prazo definido para esse efeito.