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TPI condena chefe da polícia islâmica jihadista por crimes de guerra no Mali

O Tribunal Penal Internacional (TPI) condenou hoje, quarta-feira, dia 26, Al Hassan Ag Abdoul Aziz Ag Mohamed Ag Mahmoud por crimes de guerra e crimes contra a humanidade praticados em Timbuktu, no Mali, em 2012 e 2013. Os juízes consideraram-no um dos principais membros do grupo jihadista Ansar Dine, que se apoderou de Timbuktu e tentou impor a Sharia, a lei islâmica.

Al Hassan Ag Abdoul Aziz Ag Mohamed Ag Mahmoud, conhecido como Al Hassan, de 46 anos, à época um dos chefes da polícia, foi considerado culpado, entre outras coisas, de tortura e ultraje à dignidade pessoal por actos cometidos na cidade, que na altura estava sob domínio jihadista.

A pena imposta será determinada numa data posterior, após uma nova série de audiências. O jihadista maliano poderá ser condenado a prisão perpétua.

De acordo com o juiz Antoine Kesia-Mbe Mindua, Al Hassan desempenhou um “papel fundamental” no terror que se abateu sobre Timbuktu, supervisionando amputações e flagelações enquanto chefe da polícia islâmica na cidade controlada pelos combatentes islamistas do Ansar Dine e da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico.

O responsável pela polícia esteve também envolvido em interrogatórios em que a tortura era utilizada para obter confissões, continuou o juiz, que descreveu em pormenor o reinado de terror dos jihadistas em Timbuktu, referindo em particular às detenções e violações. “Os habitantes não tiveram outra escolha senão adaptar o seu modo de vida à interpretação da Sharia islâmica (…) que lhes foi imposta pela força das armas”, sublinhou.

Chicotadas e amputações públicas

O Juiz descreveu flagelações brutais na praça central de Timbuktu, perante multidões, incluindo crianças, e uma amputação pública com uma catana. Al Hassan foi considerado culpado de “contribuir para crimes perpetrados por outros membros” de grupos jihadistas, incluindo mutilação e perseguição.

No entanto, foi absolvido dos crimes de guerra de violação, escravatura sexual e ataques a bens protegidos, bem como do crime contra a humanidade de casamento forçado.

Refira-se que sob o jugo jihadista, a destruição de Timbuktu, fundada entre os séculos V e XII por tribos tuaregues e apelidada de “a cidade dos 333 santos” pelo número de sábios muçulmanos ali enterrados, foi grande, causando receio que esta cidade, considerada Património Mundial da Humanidade, pudesse desaparecer.

Recorde-se que os islamistas do Ansar Dine e da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico controlaram a cidade desde meados de 2012 até à sua libertação pelas forças francesas e malianas no início de 2013. Destruíram os famosos mausoléus dos santos muçulmanos de Timbuktu com picaretas e pás.

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