Papa Francisco critica estado da democracia no mundo
O Papa Francisco criticou o estado da democracia no mundo e alertou contra os “populistas” durante uma curta visita a Trieste, no nordeste de Itália, no domingo, antes de uma viagem de 12 dias à Ásia – a mais longa do seu papado.
Sem nomear nenhum país específico, o chefe da Igreja Católica advertiu contra “tentações ideológicas e populistas”, no dia em que a França realizava a segunda volta das eleições parlamentares que deu a vitória à Nova Frente Popular, coligação de partidos de esquerda, contrariando as previsões que davam a vitória à extrema-direita.
“As ideologias são sedutoras. Algumas pessoas comparam-nas ao Flautista de Hamelin: seduzem, mas levam-nos a negarmo-nos a nós próprios”, afirmou o Papa, referindo-se ao conto de fadas alemão.
Antes das eleições parlamentares europeias do mês passado, os bispos de vários países alertaram para a ascensão do populismo e do nacionalismo, com os partidos de extrema-direita já a tomarem as rédeas do poder em Itália, na Hungria e nos Países Baixos. Francisco também exortou as pessoas a “afastarem-se das polarizações que empobrecem” e atacou o “poder autorreferencial”.
Depois de Veneza, em Abril, e Verona, em Maio, a viagem de meio dia a Trieste, uma cidade de 200.000 habitantes no Mar Adriático que faz fronteira com a Eslovénia, foi a terceira em Itália este ano para o pontífice de 87 anos, que tem sofrido crescentes problemas de saúde nos últimos anos.
Desde que viajou para a cidade francesa de Marselha em Setembro de 2023, o jesuíta argentino limitou-se a viagens domésticas. Mas planeia passar quase duas semanas na Ásia em Setembro, visitando a Indonésia, Singapura e as ilhas da Papua Nova Guiné e Timor-Leste, este último possui a maior percentagem de fiéis católicos do mundo.