
FMI irá apoiar mais os países africanos devido aos cortes das ajudas dos EUA ao Continente
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um aumento dos pedidos de apoio financeiro por parte dos países africanos, face às tarifas comerciais e aos cortes na ajuda externa impostos pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, refere o site da agência de notação financeira Bloomberg.
“Vivemos num mundo sujeito a choques constantes”, afirmou Abebe Aemro Selasse, director do Departamento Africano do FMI, ontem, terça-feira, 8 de Abril, numa conferência de imprensa em Dakar, capital do Senegal. “Os países mais pobres e menos resistentes estão a recorrer com mais frequência a instituições como a nossa para pedir apoio e, com o cenário global actual, a tendência é que esses países aumentem”, acrescentou.
A guerra tarifária de Trump, agora alargada a nações africanas, surge depois da suspensão da ajuda da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, sigla em inglês) no início do ano. Em 2023, os países da África Subsaariana exportaram mercadorias no valor de 39 mil milhões de dólares para os EUA, o que torna o país o maior mercado da região, depois da China, Emirados Árabes Unidos e Índia.
Este ambiente global adverso para África é comparável ao choque causado pela pandemia da covid-19, período em que muitos países perderam o acesso ao mercado de capitais internacional. Actualmente, os eurobónus africanos já começam a ser afectados por esta instabilidade.
As taxas de rendibilidade das obrigações em economias como da Nigéria, Quénia e África do Sul registaram aumentos, devido à venda de activos considerados de maior risco. O prémio exigido pelos investidores para manter títulos africanos, em comparação com os do Tesouro dos EUA, subiu de 530 para 670 pontos base, segundo dados da JPMorgan Chase and Co.
Face a este cenário, o FMI já começou a reforçar os seus recursos para apoiar os países de baixo rendimento. “Não são apenas os EUA, outros países também indicaram que terão menos capacidade para prestar apoio no futuro ao continente africano”, alertou Selassie.
O responsável do FMI concluiu afirmando que “esta situação coloca uma responsabilidade ainda maior sobre os países africanos, que terão de encontrar estratégias para superar estes desafios.”