
Exclusão digital e os desafios da conectividade em Angola
O sector das telecomunicações em Angola contabilizava, no final de 2025, 30,6 milhões de conexões móveis activas, de acordo com a GSMA Intelligence. O número representa um crescimento de 8,5% face a 2024, com um acréscimo de 2,4 milhões de novas ligações.
Entretanto, os analistas sublinham que este número não corresponde linearmente ao total de angolanos com telemóvel, em resultado da tendência crescente de um mesmo indivíduo possuir mais do que um número ou plano de serviço, fenómeno potenciado pela adopção dos eSIM (cartões SIM virtuais) nos últimos anos. Apesar do elevado número de chips activos, a taxa de penetração de conexões móveis fixa-se nos 77,8% da população.
Segundo o DataReportal 2025, citado pela Revista Economia & Mercado, cerca de 18,8 milhões de angolanos vivem sem acesso à internet. Estudar online, candidatar-se a uma vaga de emprego, aceder a serviços públicos, realizar operações bancárias ou fazer uma videochamada são realidades distantes para a maioria dos angolanos. Nas zonas suburbanas e rurais, onde a conectividade é o “calcanhar de Aquiles” do desenvolvimento, o telemóvel resume-se a um instrumento para ver as horas ou, nos casos mais favoráveis, para estabelecer chamadas de voz.
Esta exclusão desdobra-se em duas realidades no terreno. Por um lado, milhares de pessoas vivem em regiões onde o sinal de telemóvel simplesmente não chega, vítimas da ausência absoluta de infra-estruturas. Por outro, uma fatia da população depende ainda da rede 2G uma tecnologia de segunda geração que, na prática, pouco mais permite do que chamadas telefónicas e mensagens de texto (SMS), excluindo qualquer experiência de navegação ou acesso a serviços digitais básicos.