
Ambriz atrai mil turistas em sete meses e procura transformar potencial em negócio
Entre os atractivos do município destaca-se o chamado “cemitério de navios”, na região de Sarico, no Panguila, onde embarcações abandonadas ao longo dos anos se transformaram numa paisagem pouco comum e com potencial para integrar roteiros turísticos. A estes recursos juntam-se a costa marítima e a história do Ambriz, que durante o período colonial esteve ligado ao comércio de escravos e que posteriormente ganhou importância na produção de café e óleo de palma.
O município do Ambriz, na província do Bengo, recebeu cerca de mil turistas, entre nacionais e estrangeiros, nos primeiros sete meses do ano, segundo dados da Direcção Municipal da Cultura, Turismo e Desporto. O número ainda é modesto, mas ganha relevância quando colocado no contexto de um município que procura transformar os seus recursos naturais, históricos e culturais numa verdadeira actividade económica.
Os mil visitantes registados entre Janeiro e Julho representam uma média próxima de 143 turistas por mês, ou cerca de cinco por dia. Para um território com praias, património histórico, paisagens costeiras e pontos de interesse singulares, o fluxo revela, sobretudo, a existência de uma margem significativa para o crescimento.
Entre os atractivos do município destaca-se o chamado “cemitério de navios”, na região de Sarico, no Panguila, onde embarcações abandonadas ao longo dos anos se transformaram numa paisagem pouco comum e com potencial para integrar roteiros turísticos. A estes recursos juntam-se a costa marítima e a história do Ambriz, que durante o período colonial esteve ligado ao comércio de escravos e que posteriormente ganhou importância na produção de café e óleo de palma.
Turismo procura ganhar espaço na economia local
A aposta no turismo ganhou novo impulso este ano com a realização, no Ambriz, do 1.º Fórum Provincial do Turismo do Bengo. O encontro juntou operadores, autoridades e representantes do sector e esteve na origem da criação da Associação Provincial de Hotelaria e Turismo do Bengo (APHTB), destinada a promover a actividade turística e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos na província.
Durante o fórum, representantes do sector apontaram alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento do turismo no Bengo, entre os quais a necessidade de melhorar as praias, as condições de acesso e a articulação entre operadores turísticos e unidades hoteleiras.
A situação ajuda a explicar o contraste entre o potencial da região e o número relativamente reduzido de visitantes. O Ambriz possui recursos capazes de sustentar uma oferta turística diversificada, mas ainda dispõe de uma estrutura de acolhimento limitada.
Acessibilidade continua a ser um dos desafios
Com cerca de 54 mil habitantes, segundo os dados do Censo de 2024, o município mantém um pequeno porto e dispõe de um aeroporto com pista não pavimentada. As limitações de conectividade constituem um dos factores que condicionam a chegada de turistas, sobretudo estrangeiros.
Por estrada, a deslocação a partir de Luanda pode levar entre duas e três horas, dependendo das condições de circulação. A distância, contudo, pode também ser transformada numa vantagem: o afastamento da capital permite ao Ambriz oferecer praias menos congestionadas, um ambiente mais tranquilo e uma experiência diferente da realidade urbana de Luanda.
O problema está em transformar essa vantagem natural num produto turístico organizado. A escassez de unidades hoteleiras de maior qualidade, a reduzida oferta de restauração e de actividades de lazer e as dificuldades de acesso limitam actualmente a capacidade do município para receber um número maior de visitantes.
Mil turistas são ponto de partida
Os dados disponíveis não permitem determinar se os mil turistas representam um crescimento em relação aos anos anteriores, uma vez que não foi divulgada uma série histórica que permita estabelecer essa comparação. Ainda assim, o número oferece uma indicação sobre a dimensão actual do mercado turístico local e sobre o potencial de expansão.
O desafio passa agora por transformar recursos naturais e históricos em produtos turísticos capazes de gerar receitas, criar emprego e atrair investimento privado. Para isso, será necessário melhorar as praias, as acessibilidades, a hotelaria e os serviços, mas também criar roteiros que valorizem a história, a natureza e a identidade cultural do Ambriz.