
Onda de xenofobia pode pôr em risco integração económica de África, alerta CEO do Standard Bank
O presidente executivo do Standard Bank Group, Sim Tshabalala, alertou que África corre o risco de comprometer a sua própria integração económica se encarar a migração como uma ameaça, em vez de a considerar um motor de crescimento.
Falando num seminário organizado pela fundação do antigo Presidente sul-africano Kgalema Motlanthe, em Joanesburgo, na última sexta-feira, dia 24, Tshabalala afirmou que a xenofobia prejudica as economias ao abrandar o crescimento e a criação de emprego nos países de acolhimento.
“A xenofobia prejudica as economias de forma mais ampla, abrandando o crescimento e a criação de emprego nos países de acolhimento”, afirmou. “Os migrantes criam corredores de comércio, informação e finanças. Os migrantes são, por outras palavras, os pioneiros da integração económica e financeira africana e os precursores da unidade africana.”
A África do Sul tem registado recentemente um aumento dos protestos anti-imigrantes, dirigidos em grande medida contra outros africanos, a quem alguns cidadãos locais responsabilizam pela má prestação de serviços e pelas limitadas oportunidades de emprego. Dezenas de milhares de pessoas já deixaram o país ou foram repatriadas pelos seus governos.
Tshabalala defendeu que os migrantes desempenham um papel fundamental na construção dos mercados dos países de acolhimento, enquanto trabalhadores, consumidores, inquilinos, utilizadores de transportes, aforradores, mutuários, comerciantes e empresários. Ao fazê-lo, estimulam a procura e, simultaneamente, expandem a força de trabalho.
De acordo com dados das Nações Unidas, aproximadamente 2,6 milhões de migrantes viviam na África do Sul em 2024, representando cerca de 5% da população. Embora sejam limitados os dados mais recentes sobre a sua contribuição económica, estimativas da OCDE-OIT publicadas em 2018, com base em modelizações de 2010, indicavam que os migrantes contribuíam com cerca de 9% do PIB da África do Sul.
O Standard Bank, o maior banco africano em termos de activos, gerou 40% dos seus resultados principais a partir de operações fora da África do Sul no ano passado. Tshabalala alertou que, se a África do Sul for vista como hostil em relação a outros africanos, as empresas sul-africanas poderão sofrer danos reputacionais e enfrentar resistência política em todo o continente. As empresas sul-africanas já são os maiores investidores noutros países africanos, com investimentos directos superiores a 500 mil milhões de rands.
Multinacionais não operam no vazio
“As empresas multinacionais sul-africanas não operam num vazio”, afirmou. “Dependemos da confiança dos reguladores, clientes, trabalhadores, fornecedores e governos em muitos mercados africanos.”
O Governo sul-africano apelou à realização de protestos pacíficos, ao mesmo tempo que rejeitou as alegações de que o país seja xenófobo. O Presidente Cyril Ramaphosa observou que sentimentos anti-imigrantes semelhantes surgiram em muitas partes do mundo, incluindo em
economias desenvolvidas, frequentemente alimentados por políticas divisionistas e desinformação.
Tshabalala relacionou directamente a migração com a agenda mais ampla de integração africana, argumentando que os migrantes frequentemente criam redes de comércio, informação e finanças antes de os acordos regionais formais serem plenamente implementados. São frequentemente alguns dos primeiros utilizadores de sistemas de pagamentos transfronteiriços, produtos de poupança para a diáspora e serviços bancários que apoiam as pequenas empresas.
“Uma migração bem gerida é uma componente essencial da integração económica de África”, afirmou. “Os migrantes são frequentemente os primeiros clientes de produtos de pagamentos transfronteiriços, transferências de pequeno valor, produtos de poupança para a diáspora e relações bancárias com pequenas empresas, que posteriormente apoiam uma integração comercial mais profunda.”