
CPLP condena o golpe e insta regresso à normalidade constitucional na Guiné-Bissau
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), condenou ontem, quinta-feira, dia 27, “qualquer tomada do poder por via da força” na Guiné-Bissau e manifestou-se perplexa por ter ocorrido após um processo eleitoral pacífico, expressando total solidariedade ao povo guineense.
Considerando que a Missão de Observação Eleitoral da CPLP destacou que o processo de votação decorreu de forma pacífica, ordeira e cívica, foi com perplexidade que a CPLP constatou a suspensão do processo eleitoral em curso, colocando em causa a sua conclusão”, refere num comunicado após uma reunião do seu Comité de Concertação Permanente (CCP), em Lisboa, Portugal.
A organização “condena a suspensão do processo eleitoral e a detenção arbitrária e injustificada de agentes políticos e institucionais; insta ao retorno à normalidade constitucional e exorta os actores intervenientes a manterem a calma e absterem-se de qualquer ação precipitada que possa conduzir a atos de violência”, num comunicada após a reunião para debater os últimos acontecimentos naquele pais lusófono.
A CPLP diz que “acompanha com elevada preocupação os últimos acontecimentos” e expressa a sua “total solidariedade para com o Povo da Guiné-Bissau neste momento de instabilidade institucional e político-social, provocada pela rutura constitucional”. A CPLP reiterou ainda o seu compromisso para apoiar iniciativas que assegurem a retoma da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral na Guiné-Bissau.
O general Horta Inta-A foi empossado ontem, quinta-feira, Presidente de transição da Guiné-Bissau, um dia depois de os militares terem tomado o poder no país, antecipando-se à divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de Novembro.
Os militares anunciaram a destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral, os órgãos de comunicação social e impuseram um recolher obrigatório.
Refira-se que as eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a presença do principal partido da oposição, o histórico Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.
Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
Recorde-se que a CPLP, actualmente presidida pela própria Guiné-Bissau, tem como Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.