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Fogueira Cultural promove tradição e pesquisa no Huambo

O município do Cachiungo, na província do Huambo, acolheu, a primeira edição da Fogueira Cultural 2024, um evento tradicional, que investiga as práticas ancestrais e pretende resgatar os princípios que norteavam a cultura da região, noticiou o jornal de Angola.

Realizado pela promotora Ombendje, em parceria com o projecto Aldeia Camela Amões, no quadro das comemorações do quarto aniversário do falecimento do empresário Segunda Amões, o mentor do projecto Camela Amões, o evento serviu para eternizar aquela figura, que serviu como um dos promotores do resgate e valorização da cultura angolana, cujas cerimónias decorreram de 30 de Novembro a 4 deste mês.
Segundo revelou o realizador da Fogueira Cultural, o cantor Ndaka Yo Wiñi, a actividade foi animada por vários grupos folclóricos locais, uma vez que na região, localizada entre os municípios do Bailundo e do Cachuingo, se faz muita arte, razão pela qual foram mobilizados vários grupos de dança tradicional que andavam no anonimato, mas que sabem realizar bons eventos.
A realização da primeira edição da Fogueira Cultural foi caracterizada com a declamação de poemas, canções em umbundu e português e danças da região, exibidas por jovens e adolescentes, uma clara demonstração de que existem garantias da preservação das raízes culturais para as próximas gerações. A Fogueira Cultural centralizou as atenções dos munícipes, porque se fez um ritual com os sobas locais, que transmitiram vários saberes costumeiros.
O projecto serviu, igualmente, para prevenir a comunidade sobre as realizações que irão acontecer nas próximas edições, uma vez que a primeira fogueira foi marcada pela presença de historiadores e contadores de histórias, que revelaram as tradições e culturas da região do Planalto Central.
A fogueira foi projectada num espaço vasto e fez-se um círculo gigante, onde se montou a oficina cultural, visando promover as capacidades artísticas dos jovens locais.
Falando da gastronomia local, o lukango (milho torrado) constituiu uma grande atracção, principalmente para aquelas pessoas que o provaram pela primeira vez.
Para além do lukango, a Fogueira Cultural disponibilizou maçaroca e batata-doce assada, o que enriqueceu o ambiente tradicional.
Segundo Ndaka Yo Wiñi, a fogueira é uma prática antiga nas comunidades rurais, onde os mais velhos educavam os jovens através do conto, onde eram passados, igualmente, os conselhos válidos para a vida, à semelhança do que se fazia nos jangos.
Os toques de batuque e as danças tradicionais, como o olundongo, elicemba, akatita e outros estilos, assim como os contos de histórias de figuras lendárias, que amedrontavam e persuadiam as crianças a seguir os comportamentos positivos, não passaram despercebidos. A ideia da fogueira não serviu só para memorizar a ancestralidade, como também elevou a convivência das pessoas, uma vez que o otchiyo de lukango (frigideira onde é torrado o milho) representa a união e o diálogo, uma vez que existe uma passagem em umbundu segundo a qual a verdadeira amizade surgiu na frigideira do lukango.
O lukango na cultura do Huambo, para além de fortalecer a amizade, representa a forte conexão de diálogo, partilha, união, uma vez que durante a fogueira desse alimento muitos incentivos de cultivar os campos são passados entre os jovens.
A realização de várias actuações na Aldeia Camela Amões, segundo Ndaka Yo Wiñi, visa, igualmente, promover o turismo rural, para que as pessoas vindas de outros pontos de Angola e do mundo encontrem espaços para se acomodarem no meio da comunidade e garantir a pesquisa de vários conhecimentos ancestrais.
A lenha usada na fogueira foi recolhida pelos artistas e participantes, apesar da chuva que caía naquela comunidade. Segundo Ndaka Yo Wiñi, a Ombendje segue os ditames tradicionais, está enraizada na essência do trabalho de forma rural e está envolvida no verdadeiro sentido de viver em comunidade. O realizador da actividade disse que a mesma marcou os participantes e, para tal, o artista e a administração da Aldeia Camela Amões têm a intenção de transformar o evento em festival anual, que poderá ser realizado no mês de Dezembro, para saudar e homenagear o mentor deste projecto, Segunda Amões.
A jornada em alusão ao quarto aniversário do falecimento de Segunda Amões terminou com a distribuição da sopa solidária, servida por Maria Augusta Amões, no quadro do Natal Solidário, com todas as crianças da Aldeia Camela Amões.
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